quinta-feira, 10 de março de 2011

Banquinho.

A infância é realmente fascinante. Especialmente quando se tem companhias que permanecem até a morte... e hoje uma das minhas companhias morreu.
Quando eu nasci, ela já estava lá, pequena como eu, mas já bem mais forte. Ela ajudou a me alimentar, brincou comigo (até me machucou seriamente uma vez, e eu tenho a marca pra provar), me protegeu do Sol enquanto eu lia deitada no seu colo.
Ela tem parte significativa na minha história, conheceu meus outros amigos e nunca teve ciúmes deles, muito pelo contrário! Fez por eles o mesmo que fazia por mim desde que me lembro.
Mas ela se cansou. Bem antes que eu esperava. Tentei ajudá-la, mas foi em vão. Eu contava com ela pra ajudar meus filhos (que não terei) a crescer. E hoje vi seus braços perderem as forças e despencarem, como as lágrimas no meu rosto.
Vou sentir muita falta dela. De seu cheiro doce quando se enfeitava com flores pra namorar os passarinhos, e do chão branquinho quando a primavera acabava.
Agora olho pra fora e vejo um banquinho, onde ela já esteve por todos esses anos, e sempre estará...
Minha amiga laranjeira.

08/03/2011

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