Definitivamente, não há algo mais difícil... Especialmente por ser pra sempre!
Teu último olhar, último sorriso, bastaram pra sabermos que eram um "adeus", por menos que tenhamos dito.
Sempre pensarei em você com carinho... com o mesmo carinho que pensei aquela noite na Lapa, em que estávamos tão distantes, e mesmo assim tão próximos! E, por mais que eu tente, não vou conseguir não rir sozinha, lembrando das tuas gargalhadas por motivos tolos, como... um papelzinho de bala voando!
Vou sentir saudades dos teus olhos de menino, sempre brilhantes... e nunca me esquecerei da tua alegria, erradiada no sorriso mais lindo e convidativo que eu já vi...
Desejo que você encontre aquela pessoa que possa ser verdadeira com você, e que ela nunca te cause a angústia de uma despedida sem abraço, lembrando do seu perfume sem poder sentí-lo, ou de um beijo com gosto de último...
Precisava que você soubesse.
11/12/2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Na beirada da rua...
Você já deve ter passado por mim... aliás, todos já passaram por mim. Vivo aqui, na beirada da rua, desde que me lembro... Acho que nasci aqui. Minha casa é aqui, e também meu trabalho, meu descanso, minha morgue. Meus armários são os bueiros, minha companhia são os pombos que comem meus carrapatos.
Bebo a água que a chuva me dá, como os farelos que as pessoas esquecem de juntar. Meu calor vem dos escapamentos dos ônibus, dos cobertores abandonados pelos meus colegas "de rua", das cobertas das lojas, da luz do Sol.
Isso nunca muda. Eu não posso mudar. Já estou ha tanto tempo por aqui que já não me imagino de outro jeito. Não consigo mudar! Só se alguém me ajudar, pois sozinha não dá. Às vezes, algum órgao do Governo, ou até alguma empresa privada vem me "restaurar", cheios de segundas intenções, só pra não ver-me destroçada, poluindo as portas de suas lojas. Mas não adianta, afinal, minha base é podre.
Multidões passam por mim todos os dias, algumas pessoas até me olham, mas nenhuma se lembra da minha aparência, nem em qual rua eu estava, só se lembram que passaram por um canto que fedia a urina.
Você já deve ter passado por mim, aliás... TODOS já passaram por mim... Prazer! Me chamo calçada.
16/11/2010
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