terça-feira, 17 de julho de 2012

Preciso.



Estou tentando me matar.
Estou tentando te matar em mim, tentando te botar pra fora como você fez comigo da primeira vez que terminamos. Que VOCÊ terminou. E pediu pra voltar. E voltamos. E nos amamos... EU te amei, você me jogou no lixo, como aquele lenço que fiz pra você sem sequer perguntar se eu queria de volta. Se eu ME queria de volta.

E agora eu sou isto, isto que você me fez...
Uma garota nua tentando se reencontrar. Uma prostituta sem pai fumando um cigarro e olhando pela janela do motel enquanto um cara qualquer se limpa e vai embora. Uma mulher que se vende por identidade, que busca em outros corpos reencontrar a energia, ou melhor, a vida que deixou na tua cama.
A TUA cama?
A cama que ganhamos do teu pai... E que já deve estar com o cheiro dela...
Lembra-se como era antes de ganharmos essa cama? haha
Dormíamos juntos num colchão de solteiro jogado no chão do quarto, praticamente um encima do outro, e transávamos...
Como é transar com ela na nossa cama? Como é gozar naquela cama sem mim?

Me lembro da última vez que transamos.
Todos os planos da noite deram errado e eu acabei indo dormir com você. Nos deitamos pra dormir e você tirou a cueca, quando perguntei por que, você disse: "Sei lá! Tira também, quero te sentir esta noite..."
Parece que você sabia que era a última vez. Lembro que, no meio da noite (e isso deve ter acontecido umas três vezes) você se virava e involuntariamente me tocava, e de repente ficava intencional, você me acordava e me penetrava, enquanto eu mordia suas mãos e lábios pra não acordar tua mãe com os gemidos.
Tenho saudades da tua cara enquanto eu tinha orgasmos... Surgia um sorriso sádico e orgulhoso no teu rosto, como o de um artista recebendo um elogio por sua obra-prima. E eu nunca mais verei aquele sorriso. Eu nunca mais terei o mesmo sorriso... Eu não tenho mais nada.

Só tenho minha arte, que não significa nada pra ninguém. E talvez nem pra mim...
A arte que você jogou fora como um papel higiênico usado... Ou não?
Às vezes, pra amenizar minha dor, meu ódio nem sei mais, eu imagino a cena de você se desfazendo dos meus presentes... Será que você sequer leu o "eu te amo" daquele lenço pela última vez antes de jogar fora? Você o cheirou, buscou me sentir nele? Você hesitou? Passou pela tua cabeça espirrar aquele restinho do meu perfume que você tanto gostava no teu travesseiro?

Mas sinceramente, eu sei que não. Isso seria muito "eu".
Ou era, nem sei mais.
Só sei que quero me conhecer denovo, conhecer quem sou depois de você.
Mas antes preciso que você passe.
Preciso não precisar que você passe.
Preciso não precisar de você.

04/07/2012

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